Uso antidepressivo: o que preciso conversar antes da cirurgia plástica?
O antidepressivo precisa constar na lista do pré-operatório, mesmo que você o use há anos e esteja bem. A resposta sobre o tratamento antes de uma cirurgia plástica depende do medicamento exato e da avaliação conjunta de quem o prescreve, do cirurgião e do anestesiologista. Este texto não orienta suspender, manter ou mudar doses.[1,2,3]
A parte que cabe ao paciente é chegar à avaliação com informação completa e sair com uma orientação compreensível. Não tente adaptar uma receita antiga nem copiar a experiência de alguém que tomou outro antidepressivo.

Estar bem também é uma informação importante
“Estou ótima. Preciso mesmo contar?” Precisa. Dizer que o tratamento está funcionando ajuda a explicar sua situação; não torna o remédio irrelevante. Antidepressivos são usados para depressão e também para outras condições, incluindo transtornos de ansiedade e alguns tipos de dor. O nome do medicamento não revela sozinho por que ele foi prescrito.[1,2]
Conte o motivo do uso, há quanto tempo está em acompanhamento e se houve mudança recente no tratamento. Se o nome comercial gera dúvida, leve a embalagem ou a receita. “Um comprimido para ansiedade” é uma descrição insuficiente para conferir possíveis interações.
Também vale dizer se você já teve dificuldade ao reduzir ou esquecer o remédio. Essa história não substitui a avaliação, mas é algo que o profissional responsável precisa conhecer.[1]
Parar para se preparar também pode trazer problemas
A interrupção abrupta de um antidepressivo pode provocar sintomas de retirada: alterações que aparecem quando o organismo sente a mudança no tratamento. Tontura, ansiedade, dificuldade para dormir e sensações semelhantes a choques estão entre as possibilidades. A retirada não acontece do mesmo jeito com todas as pessoas.[1]
O retorno da condição que motivou o tratamento também precisa entrar na conversa. Sintomas de retirada e piora da saúde mental podem se confundir; cabe ao profissional avaliar, sem concluir pela internet qual das duas coisas está acontecendo.[1]
Isso não se transforma em uma ordem geral para continuar o medicamento até a cirurgia. Explica por que mexer sozinho no tratamento para “facilitar a anestesia” não é um preparo adequado. O artigo não oferece um número de dias de pausa nem um esquema de redução.
A equipe precisa conferir a combinação inteira
Antidepressivos pertencem a grupos diferentes e podem interagir com outros medicamentos. A revisão inclui os remédios habituais e os que poderão ser usados ao redor da cirurgia.[2,3] Informar apenas o antidepressivo deixa parte da história de fora.
Um exemplo concreto: a página oficial do NHS sobre sertralina alerta para possíveis problemas de combinação com alguns anti-inflamatórios e medicamentos que interferem na coagulação. Isso exige conferência profissional; não permite prever que uma pessoa terá sangramento nem aplicar a mesma conclusão a todos os antidepressivos.[4]
Inclua na lista produtos sem receita, vitaminas, suplementos e medicamentos usados apenas ocasionalmente. Quando o hospital entregar uma prescrição para a recuperação, peça que ela seja conferida considerando seu tratamento habitual. Evite acrescentar um remédio que sobrou em casa porque foi útil em outra operação.
Saia com as instruções organizadas
Anote as dúvidas antes da consulta. Peça que a orientação identifique o nome do medicamento e o que fazer antes, no dia da operação e durante a recuperação. Se houver alguma mudança, esclareça quem acompanhará essa mudança e como entrar em contato em caso de dificuldade.
Jejum e manejo de medicamento precisam constar no planejamento; não use uma instrução genérica sobre alimentação para deduzir o que fazer com o antidepressivo.[3] Se dois profissionais orientaram coisas diferentes, mostre as duas recomendações e peça alinhamento. Você não precisa arbitrar essa divergência.
Já alterou o uso por conta própria? Informe o que mudou e quando. Não tente corrigir a situação com dose extra ou outro remédio sem avaliação. Informação boa é informação que a equipe consegue usar.
Perguntas sobre antidepressivos e cirurgia
Preciso esconder o antidepressivo para não ter a cirurgia adiada?
Não. A equipe precisa conhecer seu tratamento. Informá-lo permite avaliação; o nome do remédio isoladamente não define a decisão cirúrgica.
Meu remédio é para dor, não para depressão. Devo informar?
Sim. Alguns antidepressivos têm outras indicações. O medicamento e o motivo do uso devem constar na conversa.[2]
Posso seguir a pausa que uma amiga fez?
Não use a conduta de outra pessoa como receita. Este texto não estabelece pausa ou continuidade; o plano precisa ser específico para você.
Esqueci ou interrompi doses antes da consulta. O que digo?
Relate exatamente o que aconteceu e os sintomas, se houver. Peça orientação à equipe e ao prescritor, sem compensar ou reiniciar de uma forma escolhida por conta própria.[1]
Referências
- Royal College of Psychiatrists. Stopping antidepressants [Internet]. 2024. Disponível em: Stopping antidepressants.
- NHS. Antidepressants [Internet]. [s.d.]. Disponível em: Antidepressants.
- Royal College of Anaesthetists. You and your anaesthetic. 7th edition [Internet]. 2026. Disponível em: You and your anaesthetic. 7th edition.
- NHS. Sertraline [Internet]. [s.d.]. Disponível em: Sertraline.


