Na prática do Dr. Cadu, a drenagem linfática é recomendada de rotina depois da lipoaspiração, retirada cirúrgica de gordura por aspiração; a exceção que ele considera são as cirurgias pequenas. Essa orientação clínica não deve ser confundida com a afirmação de que a literatura comprova uma necessidade universal: os estudos disponíveis ainda têm limitações para responder se toda paciente precisa do tratamento.[1,2]
A pergunta útil não é apenas se a drenagem é “obrigatória”. É entender por que foi recomendada no seu pós-operatório e em que situações o cirurgião pode considerar dispensá-la.
O que é drenagem linfática?
A drenagem linfática manual é uma técnica de movimentos suaves destinada a favorecer o transporte de líquido pelos vasos linfáticos, que participam da retirada de líquido dos tecidos. Após a lipoaspiração, ela pode ser empregada como parte dos cuidados com o inchaço, também chamado edema.[1]
Não se trata de retirar gordura que teria “sobrado” da cirurgia. Também não significa que apertar mais forte produzirá um resultado melhor. A revisão de Marxen e colaboradores descreve uma técnica suave e reconhece que ainda há lacunas na compreensão de seus efeitos nos procedimentos estéticos.[1]
Como o Dr. Cadu orienta essa escolha?
A conduta informada pelo Dr. Cadu é recomendar a drenagem de rotina, considerando a possibilidade de não fazê-la nas cirurgias pequenas. Isso não cria um corte automático por quantidade de gordura retirada nem uma autorização para a paciente dispensar uma recomendação já recebida.
O termo “cirurgia pequena” precisa ser aplicado pelo cirurgião ao procedimento realizado. Não existe, neste artigo, uma regra de volume, número de regiões ou duração da operação para que a própria paciente se classifique nessa exceção.
Se houver dificuldade para realizar o cuidado recomendado, leve a questão à equipe. A conversa deve tratar da indicação no seu caso, e não partir da comparação com outra pessoa que recebeu um plano diferente.
O que os estudos permitem dizer?
Um estudo com 18 mulheres que estavam em pós-operatório tardio e já apresentavam fibrose, o endurecimento dos tecidos, avaliou drenagem manual associada a ultrassom terapêutico — um tratamento de fisioterapia com ondas sonoras, distinto de um exame de ultrassom. Elas haviam realizado lipoaspiração ou lipoabdominoplastia, associação da lipoaspiração à cirurgia abdominal que retira excesso de pele. Foram observadas melhoras de dor, inchaço e fibrose, mas não é possível atribuir a melhora à drenagem isolada.[2]
Esse resultado tem limites importantes. O trabalho combinou duas intervenções, incluiu operações diferentes e não contou com um grupo sem o tratamento. Assim, não permite separar o efeito da drenagem do efeito do ultrassom ou da própria evolução da recuperação. Também não demonstra que todas as pacientes submetidas à lipoaspiração precisem de drenagem.[2]
A revisão de 2023 sobre massagem linfática em procedimentos estéticos aponta benefícios potenciais, mas reconhece a escassez de pesquisa e a necessidade de novos estudos.[1] Evidência limitada não é prova de inutilidade; é motivo para não apresentar uma recomendação clínica como certeza universal.
Deixar de fazer significa que haverá fibrose?
Os trabalhos citados não permitem afirmar isso. Uma pesquisa que observa melhora com tratamento não prova, por si só, que a ausência dele cause uma complicação. Também não autoriza garantir que fazer drenagem evitará qualquer endurecimento ou irregularidade.[1,2]
Fibrose é o endurecimento relacionado à formação de tecido cicatricial. Uma área endurecida precisa ser avaliada no contexto da recuperação, e não receber automaticamente a explicação de que “faltou drenagem”. Há um artigo específico sobre fibrose após lipoaspiração.
A drenagem substitui os retornos ao cirurgião?
Não. A American Society of Plastic Surgeons destaca que a recuperação da lipoaspiração exige orientações individualizadas, acompanhamento e atenção aos sinais indicados pela equipe.[3] A drenagem, quando recomendada, integra esse cuidado; não ocupa o lugar da avaliação médica.
Uma mudança inesperada na evolução deve ser comunicada à equipe, sem simplesmente aumentar sessões ou a intensidade das manobras. Se houver falta de ar ou dor no peito após a cirurgia, procure atendimento de urgência.[4]
O momento de início é outra pergunta e tem uma página própria: quando iniciar a drenagem depois da lipoaspiração. Aqui, o foco é a necessidade do tratamento, não seu calendário nem o número de sessões.



