Autoria: Dr. Cadu Gazzinelli — Cirurgião plástico, CRM-MG 46604 · RQE 33588.
Coceira sob a fita merece ser comunicada à equipe que acompanha sua cirurgia. Pode haver irritação ou alergia ao material, mas o sintoma sozinho não permite descobrir a causa. Não é preciso suportar uma reação importante até o retorno marcado, nem arrancar um curativo que possa estar ajudando a manter a incisão fechada. Peça orientação sobre como proceder. [1,2]
Coçar não significa automaticamente alergia
A pele pode reagir ao adesivo de maneiras diferentes. Há irritação pelo contato com o produto e há alergia, uma resposta do sistema de defesa a alguma substância. A retirada da fita também pode machucar a camada superficial da pele. São situações distintas, embora possam produzir vermelhidão e desconforto. [1,2]
Uma alteração que acompanha o desenho do curativo ajuda o médico a suspeitar de reação ao material. Não é, porém, um teste que a paciente possa usar para excluir infecção ou outro problema. A avaliação considera o aspecto da pele, os demais sintomas e sua evolução. [1]
O que informar ao cirurgião
Para tornar a conversa mais útil, conte quando começou a coceira, se surgiu após uma troca e se apareceu também fora da área coberta. Informe o nome do curativo e de qualquer produto aplicado na região. Se já teve reação a adesivos, mencione isso.
Uma fotografia pode ajudar na triagem, mas não substitui o exame quando a equipe o considera necessário. A pergunta prática é: “Este curativo precisa ser retirado ou substituído? Como devo fazer isso sem machucar a pele?”
Não use por conta própria pomada com antibiótico ou corticoide para tentar manter a fita apesar dos sintomas. Esses produtos também precisam de indicação e alguns podem provocar reações de contato. [3]
Quando não esperar pelo retorno habitual
Dor que está aumentando, vermelhidão que se espalha, secreção, febre ou abertura da incisão justificam avaliação rápida. Bolhas e pele ferida sob o adesivo também precisam ser comunicadas prontamente. Coceira não oferece proteção contra outras complicações: mais de um problema pode estar presente. [1,2]
Fita comum, placa de silicone e pomada não são iguais
Uma fita adesiva usada para fixação ou suporte não deve ser confundida com uma placa de silicone destinada ao cuidado da cicatriz. Antes de trocar, descubra qual produto foi prescrito e sua função. Não escolha o substituto apenas porque outra pessoa usou depois de uma cirurgia parecida.
Na minha prática, utilizo pomada de silicone no cuidado da cicatriz, e não fita. Isso não transforma a fita em uma escolha errada para quem recebeu outra orientação. Este texto responde a uma dúvida de quem a utiliza; a conduta deve ser combinada com o cirurgião responsável.
Conteúdo educativo. Não substitui avaliação individual.



