Dr Cadu Gazzinelli

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Hérnia umbilical junto com abdominoplastia: o tamanho da hérnia muda o planejamento?

Em resumo

Sim. O tamanho da abertura na parede do abdômen ajuda a escolher o reparo da hérnia. Quando há uma abdominoplastia no mesmo planejamento, também é preciso cuidar da circulação que mantém o umbigo vivo. Uma hérnia pequena não garante, sozinha, que as duas operações possam ser feitas juntas. [1–3]

Cena ilustrativa de consulta com modelo didático da parede abdominal e foco no umbigo.
Cena ilustrativa com modelo didático. Não representa paciente, atendimento real ou resultado cirúrgico.

A saliência e a abertura da hérnia não são a mesma medida

Na hérnia umbilical, há uma abertura na parede abdominal perto do umbigo. Gordura ou uma parte do intestino pode se projetar por ela. O que aparece por fora não informa, por si só, o tamanho dessa abertura. [4]

É essa abertura que precisa entrar na conversa sobre o reparo. O exame clínico faz parte da avaliação; se houver dúvida, ultrassom ou tomografia podem ajudar a esclarecer o diagnóstico. Não são exames obrigatórios para todas as pessoas. [4]

Uma pergunta para levar à consulta é: “Qual é o tamanho da abertura da minha hérnia, e como isso muda o reparo?”. Uma avaliação apenas por fotografia não substitui essa investigação.

Onde o tamanho entra na decisão sobre a tela?

A tela é um material usado para reforçar o reparo da parede abdominal. As diretrizes das sociedades europeia e americana de hérnia recomendam seu uso para diminuir a chance de a hérnia voltar. Para aberturas menores que 1 cm, uma correção apenas com sutura pode ser considerada em decisão compartilhada — tomada em conjunto entre a pessoa e o cirurgião. A evidência nessa faixa é limitada. [1]

Isso não transforma 1 cm em uma regra para decidir a abdominoplastia. A recomendação trata do reparo da hérnia, não de uma autorização para combinar operações. O planejamento precisa ser ajustado à hérnia e à pessoa. [1]

Por que a circulação do umbigo importa?

O umbigo recebe sangue por vasos superficiais e profundos. Na abdominoplastia convencional, o corte ao redor do umbigo interrompe a circulação superficial, tornando ainda mais importante preservar a via profunda. O reparo da hérnia também pode interferir nessa via profunda. Por isso, a associação exige atenção a essas duas vias. [2]

Se o sangue não chega em quantidade suficiente, a cicatrização pode ser prejudicada e pode haver perda de tecido, chamada necrose. Não se trata apenas de deixar o umbigo em uma posição bonita, mas de planejar sua circulação. [2]

Há técnicas descritas para preservar esse suprimento de sangue. A revisão narrativa de 2024 encontrou evidência de qualidade baixa a moderada: são alternativas de planejamento, não garantia de preservação para qualquer anatomia. [2]

As duas operações podem ser feitas juntas?

A literatura descreve a associação em casos selecionados. Uma revisão de 2021 reuniu seis estudos: cinco séries retrospectivas e um relato de caso. Esse conjunto limitado não permite prometer ausência de complicações nem concluir que a combinação serve para todas as pessoas. [3]

Portanto, o tamanho participa do planejamento, mas a conversa não termina nele. A pergunta seguinte é se o reparo da hérnia e a cirurgia do abdômen podem ser organizados de maneira adequada para aquele caso, incluindo o cuidado com o umbigo.

Quando a hérnia não deve esperar a cirurgia marcada

Dor forte ou que aumenta, especialmente com vômitos, pode indicar uma complicação da hérnia e exige avaliação urgente. Não espere a cirurgia marcada para procurar atendimento nessa situação. [4]

Perguntas frequentes

1. Uma hérnia pequena garante que posso fazer abdominoplastia junto?

Não. A medida é uma parte do planejamento. A circulação do umbigo e a adequação da associação também precisam ser consideradas. [2,3]

2. Preciso fazer tomografia em todos os casos?

Não necessariamente. O exame clínico pode identificar a hérnia; ultrassom ou tomografia podem complementar a avaliação quando houver dúvida. [4]

3. Toda hérnia umbilical precisa de tela?

As diretrizes recomendam tela para reduzir a recorrência. Em aberturas menores que 1 cm, sutura isolada pode ser considerada em decisão compartilhada, com evidência limitada. [1]

4. Usar tela elimina o risco para o umbigo?

Não. Reforçar o reparo da hérnia e preservar o sangue que chega ao umbigo são cuidados diferentes. O uso de tela não dispensa o planejamento da circulação do umbigo na associação com abdominoplastia. [1,2]

5. Meu umbigo será necessariamente preservado?

Não há essa garantia. O planejamento precisa considerar sua circulação, e as técnicas descritas não eliminam o risco de perda de tecido. [2]

6. Dor intensa com vômitos pode esperar a cirurgia marcada?

Não. Procure atendimento de urgência para avaliar uma possível complicação da hérnia. [4]

Referências

  1. Henriksen NA, Montgomery A, Kaufmann R, et al. Guidelines for treatment of umbilical and epigastric hernias from the European Hernia Society and Americas Hernia Society. Br J Surg. 2020;107(3):171–190. doi:10.1002/bjs.11489.
  2. Chua M, Seth I, Tobin V, Kaplan E, Rozen WM. The Preservation of Umbilical Blood Supply in Combined Ventral Hernia Repair and Abdominoplasty: A Narrative Review. Aesthetic Plast Surg. 2024;48(15):2851–2860. doi:10.1007/s00266-024-03999-y.
  3. Person H, Mojallal A, Braye F, Shipkov H. Techniques of Concomitant Abdominoplasty and Umbilical Hernia Repair: A Review. Aesthet Surg J. 2021;41(7):NP831–NP839. Resumo no PubMed. doi:10.1093/asj/sjab094.
  4. American College of Surgeons. Adult Umbilical Hernia. Acesso em 11 out 2026.

O que eu quero que você leve para a consulta

Muita gente chega olhando para o que aparece: a saliência no umbigo. Mas o que aparece por fora e a abertura que existe por dentro são duas medidas diferentes. É a abertura que entra na conversa sobre o reparo.

“Mas a minha hérnia é pequena. Então dá para fazer tudo junto?” Depende. O tamanho ajuda a escolher como reparar a hérnia. Sozinho, ele não responde se as duas cirurgias podem ser feitas juntas.

Sobre o umbigo, eu já expliquei muitas vezes e repito: na abdominoplastia convencional em que se planeja preservar o umbigo original, a gente não faz um umbigo novo. O umbigo é o seu. Ele continua preso lá embaixo, no mesmo lugar. A gente corta a pele em volta dele e depois traz a pele de cima. Por isso ele passa a depender do sangue que chega por baixo. E o reparo da hérnia acontece justamente ali. Isso não vale para todos os casos: em alguns, pode ser necessário reconstruir o umbigo. [2]

Então eu não prometo que dá para associar, e não prometo como o umbigo vai ficar. Medicina não é ciência exata. Cada caso é um caso, e às vezes dizer não ao “tudo junto” também é cuidado.

Leve esta pergunta: qual é o tamanho da abertura da minha hérnia, e o que isso muda no reparo e no cuidado com o meu umbigo? Com informação boa, você escolhe melhor.

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Conteúdo aprovado por Dr. Cadu Gazzinelli — Cirurgião Plástico, CRM-MG 46604 · RQE 33588. Conheça o Dr. Cadu

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