Autoria: Dr. Cadu Gazzinelli — Cirurgião plástico, CRM-MG 46604 · RQE 33588.
Resposta direta
manchas arroxeadas ou escuras ao redor dos olhos são comuns nos primeiros dias depois da blefaroplastia. Na maioria das vezes, correspondem a equimoses — o “roxo” formado pelo sangue que se espalha nos tecidos após a cirurgia — e clareiam gradualmente. Mas uma mudança de cor acompanhada de dor forte, perda ou piora da visão, olho muito tenso, aumento rápido do inchaço ou sangramento importante precisa de avaliação imediata.
A blefaroplastia é a cirurgia das pálpebras. Como a pele ao redor dos olhos é fina e tem muitos vasos, pequenas quantidades de sangue podem se tornar bastante visíveis. A cor também muda durante a absorção do hematoma: pode passar por tons de roxo, azul, verde, amarelo e castanho.
O que costuma acontecer na recuperação?
Inchaço e equimose estão entre as alterações esperadas na fase inicial. A Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos inclui inchaço, manchas roxas, irritação, olhos secos e desconforto entre os achados que podem aparecer durante a cicatrização inicial.[1]
Isso não quer dizer que toda mancha seja igual. O cirurgião considera quando ela apareceu, se está melhorando, se existe diferença importante entre os lados e quais outros sintomas estão presentes.
Mancha roxa e pigmentação são a mesma coisa?
Não. A equimose é o roxo recente provocado pelo sangue nos tecidos. Já a hiperpigmentação é um escurecimento da pele causado pelo aumento de pigmento e pode permanecer por mais tempo. Revisões sobre complicações da blefaroplastia descrevem alterações de pigmentação, mas elas não podem ser diagnosticadas apenas pela fotografia ou pela cor relatada pelo paciente.[2]
Também existem sombras produzidas pelo próprio inchaço, marcas de produtos aplicados na pele, crostas e irritação. Por isso, antes de procurar um clareador, é necessário saber o que está causando a aparência escura.
Quanto tempo demora para clarear?
Não existe um dia exato para todas as pessoas. A intensidade e a duração do roxo variam com a extensão da cirurgia, a tendência individual a formar equimoses, os medicamentos usados, a pressão arterial e a evolução do pós-operatório.
O aspecto deve ser interpretado como uma sequência. Uma mancha que muda de cor e diminui progressivamente é diferente de um escurecimento que surge de forma súbita, aumenta rapidamente ou vem acompanhado de sintomas oculares.
Posso usar creme, maquiagem ou compressa por conta própria?
Não é recomendado aplicar um produto novo perto dos olhos sem autorização. A pele pode estar sensível, a incisão pode não estar totalmente fechada e alguns componentes podem provocar irritação.
Compressas frias são usadas por algumas equipes na fase inicial, mas o modo, a proteção da pele e o tempo de aplicação devem seguir a orientação recebida. Gelo diretamente sobre a pele pode causar lesão. Medicamentos para “tirar o roxo” também não devem ser iniciados sem avaliação, especialmente se puderem interferir na coagulação.
Quais sinais exigem contato imediato?
Procure a equipe ou atendimento de urgência se ocorrer:
- perda, redução ou embaçamento súbito da visão;
- dor ocular forte ou que aumenta rapidamente;
- inchaço súbito, tenso ou muito diferente entre os lados;
- sangramento importante;
- dificuldade nova para movimentar o olho;
- falta de ar, desmaio ou mal-estar intenso.
Hemorragia atrás do olho é rara, mas pode ameaçar a visão e exige reconhecimento rápido. Revisões de complicações da blefaroplastia destacam que problemas graves podem aparecer precocemente e não devem ser confundidos com um roxo comum.[3,4]
E se a mancha não estiver melhorando?
Fotografe em luz semelhante, sem filtro, e envie à equipe se esse for o canal combinado. Informe a data da cirurgia, quando o escurecimento começou, se houve melhora e quais sintomas estão associados.
Uma consulta pode ser necessária para distinguir hematoma em resolução, pigmentação, irritação da pele, alteração da cicatriz ou outra condição. O tratamento depende da causa; clarear a pele sem saber o diagnóstico pode atrasar a conduta adequada.
Conteúdo educativo. Não substitui avaliação clínica nem as orientações do cirurgião responsável.



