A drenagem linfática manual é descrita como uma técnica de movimentos suaves e rítmicos.[1] Dor não deve ser utilizada como uma medida de quanto a sessão está “funcionando”. Depois de uma lipoaspiração, porém, é importante distinguir o desconforto que já existia na região operada daquele que aparece ou piora durante o atendimento.
Isso não permite diagnosticar a causa da dor à distância. A pergunta mais útil não é quanto a paciente consegue suportar, mas o que mudou, em que região e em qual momento.
Drenagem não é sinônimo de qualquer massagem
O material educativo do Royal Cornwall Hospitals NHS Trust descreve a drenagem manual como uma técnica especializada de alongamento suave da pele, feita por profissional treinado.[1] Esse material trata de cuidado linfático em geral; não é um ensaio clínico sobre dor depois de lipoaspiração.
Por isso, ele ajuda a entender a natureza suave da técnica, mas não estabelece uma intensidade de dor aceitável no pós-operatório. Também não autoriza considerar toda manipulação oferecida como “drenagem” equivalente ao procedimento descrito.
O que contar à equipe
Em vez de dizer apenas “doeu”, tente descrever:
- se a dor já existia antes da sessão;
- qual região incomodou;
- em que momento começou ou aumentou;
- se permaneceu depois do atendimento;
- se houve alguma outra mudança percebida.
Esses registros são uma sugestão para organizar o relato, não uma ferramenta de diagnóstico. Não é necessário repetir uma manobra dolorosa para demonstrar o que aconteceu.
A dor não comprova que a fibrose está sendo tratada
Fibrose é um endurecimento do tecido relacionado à cicatrização. Um estudo avaliou dor e outros desfechos em mulheres que já apresentavam fibrose após lipoaspiração ou lipoabdominoplastia — combinação de lipoaspiração com abdominoplastia, cirurgia que retira o excesso de pele do abdome —, usando drenagem associada ao ultrassom.[2] Avaliar redução de dor ao longo de um tratamento não equivale a demonstrar que provocar dor durante a sessão traz benefício.
O trabalho não estabelece que uma sessão mais dolorosa seja melhor. Também não oferece uma escala para a paciente decidir quanto deve tolerar.
Qual é a orientação do Dr. Cadu?
Na orientação do Dr. Cadu, a paciente deve sempre entrar em contato com o cirurgião quando sentir dor durante a drenagem. A comunicação permite que a equipe avalie o relato e oriente o que fazer no caso concreto; não significa que uma causa específica já esteja diagnosticada.
A ASPS recomenda que a paciente receba instruções individualizadas e saiba quais preocupações devem motivar contato com o cirurgião.[3] Este artigo não substitui essas orientações.
Quando procurar atendimento rápido ou emergencial
Se houver dor intensa ou sintomas inesperados, entre em contato com a equipe ou a clínica o mais rápido possível.[4] Dor no peito, dificuldade respiratória importante ou desmaio exigem atendimento emergencial, sem aguardar a resposta do cirurgião.[5]
Para a discussão sobre indicação, veja drenagem de rotina após lipoaspiração.



